
O ex-governador do Distrito Federal Ibaneis Rocha anunciou nesta quarta-feira (20) que não apoia mais a governadora Celina Leão e afirmou ter acumulado “decepções” com a gestão da antiga aliada.
A declaração foi feita em vídeo publicado nas redes sociais após reunião com o presidente nacional do MDB, Baleia Rossi. Também participaram do encontro o presidente da Câmara Legislativa do DF, Wellington Luiz, e o deputado federal Rafael Prudente.
“Nós apostamos na governadora Celina como um governo de continuidade daquilo que nós plantamos […]. Infelizmente, ao longo desses últimos dias, nós temos tido muitas decepções. Isso não quer dizer rompimento, mas quer dizer um realinhamento de posições, porque o MDB é um partido grande e nós vamos nos manter como um partido grande”, afirmou Ibaneis.
A resposta de Celina Leão veio poucas horas depois.
“Fui leal durante todo o tempo em que estive ao lado dele como vice-governadora. Em tempos muito difíceis, eu cumpri meu papel com respeito, responsabilidade e espírito público. Mas hoje, eu não sou mais vice-governadora, eu sou governadora, e governar exige, acima de tudo, compromisso com os fatos, mesmo quando eles são difíceis”, declarou.
Em seguida, a governadora afirmou: “sucessão nunca será submissão”.
Celina também argumentou que as medidas adotadas pela atual gestão buscam preservar as contas públicas e enfrentar a crise envolvendo o Banco de Brasília (BRB).
O embate ocorre em meio à crise financeira enfrentada pelo banco estatal e à judicialização do pacote de socorro aprovado ainda durante a gestão de Ibaneis Rocha.
A resistência do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) em liberar os R$ 6,6 bilhões previstos pode obrigar o governo local a buscar nova autorização da Câmara Legislativa para aprovar medidas adicionais.
A mudança no cenário político também altera a composição de forças na Câmara Legislativa do DF.
Dos 24 deputados distritais, cinco pertencem ao MDB e dois ao PP. Com o afastamento entre os grupos, a governadora deixa de contar com uma maioria confortável e passa a enfrentar um ambiente mais equilibrado entre base e oposição.
Nos bastidores, aliados de Ibaneis Rocha avaliam que o distanciamento ocorreu após divergências sobre a condução administrativa e política do governo desde a saída do ex-governador para disputar o Senado.