
O Departamento de Justiça dos Estados Unidos formalizou nesta quarta-feira (20) a acusação contra o ex-ditador cubano Raúl Castro. O irmão de Fidel foi indiciado no Tribunal Distrital dos EUA para o Sul da Flórida pela derrubada de dois aviões civis do grupo humanitário Irmãos para o Resgate em 1996, quando ocupava o comando das Forças Armadas de Cuba.
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As aeronaves foram abatidas por caças MiG-29 da Força Aérea Cubana. Quatro pessoas morreram no ataque.
Segundo os autos, Raúl Castro responde por quatro homicídios, dois crimes de destruição de aeronave e um crime de conspiração para matar cidadãos americanos. Também foram denunciados outros cinco militares cubanos: Emilio José Palacio Blanco, José Fidel Gual Barzaga, Raúl Simanca Cárdenas, Luis Raúl González-Pardo Rodríguez e Lorenzo Alberto Pérez-Pérez.
Após o anúncio, o presidente Donald Trump afirmou que Washington está “libertando Cuba” e disse não poder antecipar os próximos passos dos Estados Unidos em relação à ilha. “Os EUA não tolerarão um estado pária que abrigue operações militares, de inteligência e terroristas estrangeiras hostis a apenas 145 quilômetros do território americano”, declarou.
O procurador-geral interino dos EUA, Todd Blanche, afirmou que as acusações contra Raúl Castro pelo assassinato de quatro pilotos reforçam o compromisso do governo Trump com o princípio: “Se você matar americanos, nós o perseguiremos”.
Em discurso em Miami, Blanche afirmou que esta é a 1ª vez em quase 70 anos que líderes de alto escalão do regime cubano são formalmente acusados nos EUA: “O presidente Trump está comprometido em restaurar um princípio muito simples, mas importante: se você matar americanos, nós o perseguiremos, não importa quem você seja, não importa o cargo que ocupe e, neste caso, não importa quanto tempo tenha passado”.
O procurador não detalhou como uma eventual prisão de Raúl Castro poderia ser executada. Em caso de julgamento em solo americano, ele pode ser condenado à prisão perpétua ou à pena de morte pelos crimes imputados.
O governo cubano reagiu por meio do presidente Miguel Díaz-Canel, que classificou a acusação como “uma ação política, sem qualquer fundamento legal, que busca apenas reforçar os argumentos para justificar a insensatez de uma agressão militar”.
Ele afirmou ainda que a decisão reflete “a arrogância e a frustração que a firmeza da revolução cubana, a unidade e a força moral de sua liderança provocam nos representantes do império”.
“A estatura ética e o espírito humanista de sua obra refutam qualquer calúnia que possa ser dirigida contra o general do Exército Raúl Castro”, disse Díaz-Canel, ao classificar a medida como “uma tentativa ridícula de diminuir sua estatura como herói”.