
O ex-chefe de gabinete do presidente Lula, Marco Aurélio Santana, conhecido como “Marcola”, esteve na mansão que seria usada pela lobista Roberta Luchsinger e por Lulinha, para reuniões de negócios. O relato foi feito ao SBT por uma mulher que trabalhou no imóvel durante sete meses, entre novembro de 2024 e maio de 2025.

Segundo a ex-funcionária, que pediu para não ser identificada, o encontro entre Roberta, Lulinha e Marcola ocorreu no fim de 2024, quando Marcola ainda ocupava o cargo no governo. Ela afirma que o ex-assessor também participou de um almoço no local.
A testemunha disse que a residência funcionava como ponto de encontro entre políticos e empresários de diferentes Estados. Entre os assuntos tratados, estariam projetos nas áreas de saúde, educação e o programa “Luz para o Povo”.
“Essa casa para mim é uma casa de reunião. Ela [Roberta] estava lá para ajudar essas pessoas, deputados de outros estados do país […]. Essas pessoas vinham para Brasília para terem essa ajuda”, disse ao SBT.
PF investiga suposto tráfico de influência
O relato ocorre no momento em que a Polícia Federal investiga uma possível atuação de Lulinha e Roberta em um esquema de tráfico de influência no Ministério da Saúde. A apuração busca esclarecer uma possível relação do grupo com o empresário Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”.
Segundo a PF, Marcola é suspeito de participação no esquema após receber R$ 249 mil de Roberta. A defesa afirma que a transferência foi uma operação privada, relacionada ao pagamento de uma despesa pessoal, e nega irregularidades.
A defesa de Marcola informou ao SBT que ele se manifestará apenas nos autos do processo. A reportagem também procurou o ex-chefe de gabinete, mas não obteve resposta.
Ex-funcionária relata rotina na mansão
A mulher afirmou que foi dispensada por determinação de Lulinha após suspeitas de que teria repassado informações sobre as atividades realizadas no imóvel.
De acordo com o relato, havia um fluxo frequente de pessoas que procuravam Roberta para tentar obter apoio em demandas relacionadas ao governo. A ex-funcionária contou que também chegou a pedir ajuda para conseguir um imóvel pelo Minha Casa, Minha Vida. Segundo ela, o pedido foi recusado.
Em dois processos movidos pela ex-colaboradora contra Roberta, a mulher havia declarado inicialmente que o imóvel era utilizado para eventos sociais. Também afirmou que Lulinha mantinha uma relação de “marido” com a lobista.
Posteriormente, ela esclareceu que as reuniões relacionadas aos negócios aconteciam durante o dia, cerca de duas ou três vezes por mês. A exceção teria sido uma confraternização familiar de Natal, em 2024.
A testemunha também explicou que o termo “marido” foi utilizado de forma equivocada por seu advogado. Segundo ela, Roberta é amiga da esposa de Lulinha, Renata Abreu, e é chamada de “tia” pelas filhas do casal.
Defesas negam irregularidades
A defesa de Lulinha negou ao SBT a existência de atividade ilegal. Roberta Luchsinger e seu advogado foram procurados por telefone e mensagem, mas não responderam.
A defesa de Marcola também não reconheceu irregularidades e afirmou que ele tratará do caso exclusivamente no processo judicial.
