
A explosão na emissão de Certificados de Depósito Bancário (CDBs) pelo Banco Digimais tornou-se um dos principais focos da investigação da Polícia Federal (PF) que apura suspeitas de fraude na gestão da instituição financeira ligada ao bispo Edir Macedo, fundador da Igreja Universal do Reino de Deus.

Dados revelados pelo portal Metrópoles mostram que o estoque de CDBs do banco saltou de R$ 694 milhões, em 2017, para R$ 8,5 bilhões em 2025. O avanço, superior a 1.100% no período, ocorreu em meio a uma estratégia de captação baseada na oferta de rentabilidades acima das praticadas pela maior parte do mercado.
A instituição foi alvo da Operação Miragem, deflagrada nesta terça-feira (23), que investiga suspeitas de gestão fraudulenta, inserção de informações falsas em demonstrativos financeiros e concessão irregular de crédito.
Segundo a Polícia Federal, o crescimento da captação teria ocorrido sem respaldo compatível na estrutura patrimonial do banco. Para os investigadores, a administração da instituição teria se apoiado na cobertura oferecida pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC) para atrair investidores e ampliar a entrada de recursos.
Em documento enviado à Justiça, a PF afirma que a estratégia representava uma transferência de risco para o sistema financeiro.
“Ocorre que o crescimento do volume de captação não possuía lastro na capacidade patrimonial da instituição emissora, sustentando-se na expectativa de cobertura por parte do FGC, o que demonstra que a gestão utilizou a garantia coletiva para captar liquidez, ocultar o passivo descoberto e transferir o risco da operação para o sistema financeiro”, diz a corporação.
As apurações indicam ainda que o Digimais elevou significativamente a remuneração oferecida aos investidores à medida que sua situação financeira se deteriorava. De acordo com a investigação, alguns títulos chegaram a ser ofertados com rendimento de até 140% do CDI. Em 2025, o custo médio de captação do banco por meio de plataformas de investimento atingiu 115,7% do CDI.
A Polícia Federal suspeita que a instituição utilizava a forte captação de recursos para sustentar uma operação considerada deficitária, enquanto registrava resultados financeiros que agora são alvo de questionamentos dos investigadores.
A distribuição dos CDBs também está sob análise. Documentos do próprio banco apontam que os títulos eram oferecidos por grandes plataformas do mercado financeiro. Entre as instituições citadas estão XP Investimentos, BTG Pactual, NuInvest, Itaú Corretora, Inter e Ágora.
A Operação Miragem cumpriu mandados de busca e apreensão, determinou a quebra de sigilos fiscais de 18 investigados e resultou no bloqueio de bens de alvos da investigação, incluindo Edir Macedo.
