
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu, por unanimidade, nesta quarta-feira (5), reduzir a taxa básica de juros da economia em 0,25 ponto percentual, levando a Selic de 14,25% para 14% ao ano. Trata-se do quarto corte consecutivo promovido pela autoridade monetária e do menor patamar da taxa desde março de 2025.

A decisão estava em linha com as expectativas do mercado financeiro. Em comunicado, o Copom afirmou que a redução é compatível com a estratégia de conduzir a inflação para a meta estabelecida, ao mesmo tempo em que busca minimizar oscilações da atividade econômica e favorecer a geração de empregos.
Apesar do novo corte, o Banco Central manteve um tom cauteloso em relação aos próximos passos da política monetária. Segundo o colegiado, futuras decisões dependerão da evolução do cenário econômico e, principalmente, do comportamento da inflação.
“O Comitê reafirma que a magnitude total do ciclo de calibração será estabelecida à luz de novas informações visando assegurar a convergência da inflação à meta”, informou o BC.
O comunicado também destaca que o ambiente internacional continua marcado por elevada incerteza. Entre os fatores de preocupação estão os desdobramentos do conflito no Oriente Médio, os impactos sobre os preços das commodities e a indefinição sobre a política monetária das principais economias do mundo, fatores que exigem cautela por parte de países emergentes.
Mesmo com a redução, a Selic permanece em um dos níveis reais mais elevados do mundo quando descontada a inflação projetada para os próximos 12 meses.
Papel da Selic
A taxa Selic é o principal instrumento utilizado pelo Banco Central para controlar a inflação. Em geral, juros mais altos encarecem o crédito, reduzem o consumo e os investimentos e contribuem para desacelerar a atividade econômica, diminuindo a pressão sobre os preços. Já a redução da taxa tende a estimular o consumo e a expansão da economia.
As decisões do Copom levam em consideração projeções futuras para a inflação, uma vez que os efeitos da política monetária costumam aparecer entre seis e 18 meses após as mudanças na taxa de juros.
Segundo as projeções mais recentes do mercado financeiro, a expectativa é de que a Selic encerre 2026 em 13,75% ao ano, indicando a possibilidade de um novo corte nas próximas reuniões, caso o cenário inflacionário continue favorável.
