
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou ontem (4) que recebeu do chefe do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), Jamieson Greer, uma sinalização de que Washington pretende manter abertas as negociações com o Brasil sobre a possível aplicação de tarifas a produtos brasileiros.
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A conversa ocorreu em Paris, durante reunião da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), um dia após a divulgação de relatórios do governo americano que recomendam medidas tarifárias envolvendo o Brasil.
Segundo Vieira, Greer o procurou durante o evento e destacou o andamento das conversas entre os dois países.
“Ele se aproximou de mim e conversamos. Ele disse que estava tendo ótimas conversas com o Brasil. Eu disse que era do nosso interesse ter conversas, sobretudo depois dos anúncios dos resultados dos relatórios das investigações sobre a Seção 301 [da Lei de Comércio de 1974]”, declarou o chanceler.
Relatórios ampliaram tensão comercial
O encontro ocorreu após a divulgação de um relatório da USTR que sugere a adoção de uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros.
Além disso, outro documento elaborado pelo governo americano recomenda a aplicação de tarifas entre 10% e 12,5% a um grupo de 60 parceiros comerciais dos Estados Unidos sob a alegação de falhas no combate ao trabalho forçado. O Brasil está entre os países citados.
A combinação das medidas passou a ser acompanhada por diferentes áreas do governo brasileiro, que mantêm diálogo com autoridades americanas para tentar evitar a implementação das sobretaxas.
Brasil reforça disposição para negociar
De acordo com Mauro Vieira, o governo brasileiro demonstrou interesse em negociar desde o surgimento das primeiras discussões sobre a adoção de tarifas por parte dos Estados Unidos.
O ministro destacou que Brasil e Estados Unidos mantêm um histórico de contatos bilaterais em diferentes áreas.
“Temos um longo histórico de conversas, de reuniões bilaterais. Nós sempre estivemos dispostos a conversar, não só na área comercial, mas em outras áreas também, como o combate ao crime organizado”, afirmou.
Tema também foi tratado por Lula e Trump
Segundo o chanceler, as questões relacionadas às tarifas e à relação comercial entre os dois países também estiveram presentes em conversas recentes entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Nos bastidores do governo brasileiro, a avaliação é que a manutenção dos canais diplomáticos e comerciais poderá ser decisiva para discutir separadamente cada uma das propostas apresentadas pelos órgãos americanos e buscar uma solução negociada para o impasse.