
O deputado federal Mário Frias negou ao Supremo Tribunal Federal que emendas parlamentares destinadas por seu gabinete tenham sido usadas para financiar o filme “Dark Horse”, produção sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.

A manifestação foi enviada após o ministro Flávio Dino abrir um procedimento para apurar supostas irregularidades no envio de recursos ao Instituto Conhecer Brasil, entidade ligada à empresária Karina Ferreira da Gama, dona da Go UP Entertainment e produtora-executiva do longa.
Segundo a defesa de Frias, a acusação é “absolutamente falsa” e não existe “uma única prova sequer” de desvio de recursos públicos para qualquer produção cinematográfica.
Os advogados afirmaram ao STF que os recursos foram destinados a projetos de “inclusão digital, letramento, empreendedorismo e esporte para crianças e jovens em situação de vulnerabilidade social”.
Em 2025, o parlamentar enviou R$ 2 milhões em emendas ao instituto. Metade do valor foi destinada a um programa de empreendedorismo. A outra parte financiaria o projeto “Lutando pela Vida”, voltado a aulas de jiu-jitsu em Pirassununga.
A defesa também sustentou que a própria Câmara dos Deputados reconheceu a legalidade das emendas. Em parecer enviado ao STF no início de abril, a Casa afirmou que “não foram identificadas irregularidades na apresentação das emendas analisadas”.
Segundo o documento da Câmara, os procedimentos “observaram integralmente a legislação de regência e os parâmetros constitucionais aplicáveis”.
Os advogados de Frias também rejeitaram suspeitas levantadas sobre empresas ligadas ao instituto compartilharem endereços comerciais. Para a defesa, a alegação é “insuficiente e juridicamente irrelevante para sustentar qualquer irregularidade”.
A investigação foi aberta após pedido da deputada Tabata Amaral. A parlamentar apontou a existência de um suposto grupo de empresas interligadas sob comando de Karina Ferreira da Gama e levantou suspeitas de que recursos públicos poderiam estar abastecendo a produção do filme sobre Bolsonaro.
Além de produtor executivo do filme, Mário Frias aparece vinculado politicamente ao projeto desde o início das articulações para captação de recursos.
O STF tentava intimar o deputado havia mais de um mês. Em março, Flávio Dino determinou que Frias apresentasse esclarecimentos sobre as emendas destinadas ao instituto.
Houve tentativas de intimação nos dias 31 de março, 7 de abril, 14 de abril e 13 de maio. Segundo relatos de oficiais de Justiça, o zelador do prédio informado como endereço do deputado afirmou que Frias não mora no local há pelo menos dois anos.
Ainda de acordo com os registros, uma assessora informou que o parlamentar estava em São Paulo e o chefe de gabinete “não demonstrou interesse” em fornecer sua agenda.
