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Disparada de preços no Nordeste amplia desgaste de Lula
Publicado em 04/05/2026 13:56
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A disparada dos preços de itens essenciais vem atingindo com mais força o Nordeste, região que concentra o principal reduto eleitoral de Lula (PT). Alimentação, combustíveis e moradia acumulam altas acima da média nacional, pressionando o orçamento em uma área onde a renda já é a menor do país.

 

O encarecimento do custo de vida ocorre em um momento de desgaste do governo petista e disparada de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que será o adversário de Lula na corrida presidencial deste ano. Pesquisas recentes indicam queda na aprovação de Lula justamente no Nordeste, historicamente base de apoio do PT.

 

Dados econômicos mostram que, entre as 10 capitais com maiores altas na cesta básica, 6 estão na região. Embora São Paulo ainda registre o maior valor absoluto (R$ 883,94), o avanço mais acelerado ocorre no Nordeste.

 

 

No Recife, por exemplo, a cesta básica chegou a R$ 654,62, com alta de 9,82% entre janeiro e março, quase o dobro da inflação prevista para todo o ano (4,86%), segundo o Banco Central (BC). Em São Paulo, o aumento foi de 4,49%, conforme o Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos).

 

Produtos básicos puxam essa pressão. O feijão-carioca lidera as altas: subiu 27% em Salvador, 24,7% em Teresina e 24% no Recife. Em Belém, a alta se aproxima de 50%. A redução da área plantada, após preços baixos no ano anterior, e problemas climáticos afetaram a oferta, elevando os preços.

 

Carnes, leite e farinha de mandioca também pressionam a inflação nordestina. No Recife, a carne subiu 5,39% no ano, enquanto a farinha avançou 4,38%. Em Fortaleza, o aumento desse item chegou a 13%.

 

Os combustíveis também ampliam o impacto no reduto lulopetista. Desde o fim de fevereiro, com a escalada de tensões na guerra do Oriente Médio, a gasolina no Nordeste subiu de R$ 6,28 para R$ 6,93 por litro, alta de 10,35%, a maior entre as regiões, segundo a ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis). O diesel avançou ainda mais: 26,25%.

 

O gás de cozinha segue a mesma tendência. No Maranhão, o botijão atingiu R$ 125,17 após alta de 8,38%. O aumento pressiona diretamente famílias de baixa renda, que já comprometem grande parte do orçamento com itens básicos.

 

A renda média no Nordeste é de R$ 1.340 por pessoa, bem abaixo da média nacional de R$ 2.068, segundo o IBGE. Com isso, qualquer elevação em alimentação, transporte e moradia tem efeito mais intenso. Em Fortaleza, por exemplo, a tarifa de transporte urbano subiu 20% neste ano.

 

 

O custo do frete também pesa mais na região, que depende de produtos vindos do Sudeste. Com menor produção local e salários mais baixos, o repasse da alta dos combustíveis chega com mais força ao consumidor final.

 

Os aluguéis completam o quadro de pressão. Cinco capitais nordestinas estão entre as dez maiores altas do país no índice FipeZap. Aracaju lidera, com alta de 7,06%, seguida por Maceió (4,66%), Natal (4,22%), Recife (4,18%) e João Pessoa (3,87%). Em capitais como São Paulo e Belo Horizonte, os reajustes ficaram abaixo de 1,5%.

 

Sem perspectiva de alívio no cenário internacional, especialmente nos preços do petróleo, a tendência é de manutenção da pressão inflacionária e de mais complicações para Lula e seu governo.

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