
O Banco Central (BC) não revela como Daniel Vorcaro conseguiu aprovação da autarquia para assumir o controle, em novembro de 2019, do Banco Máxima, que posteriormente se tornou o Banco Master, envolvido em diversas fraudes no mercado financeiro. A informação é do jornal O Globo.

A autarquia também não divulga quanto foi usado na compra do banco nem a origem dos recursos. A mudança de posição, da negativa à aprovação, ocorreu após a troca no comando do BC, de Ilan Goldfajn para Roberto Campos Neto.
Em depoimento recente à CPI do Crime Organizado, o atual presidente do BC, Gabriel Galípolo, afirmou que não há indícios de atuação irregular do antecessor no caso e disse que “não há, em nenhum processo de auditoria ou de sindicância, nada que encontre qualquer culpa por parte do ex-presidente Roberto Campos”.
Mesmo sob pressão, o BC mantém sob sigilo documentos centrais da operação. O jornal O Globo tenta, desde 11 de fevereiro, obter via Lei de Acesso à Informação a íntegra dos votos da diretoria que negaram e depois autorizaram a transferência de controle.
A autarquia enviou apenas extratos. No primeiro, de 13 de fevereiro de 2019, a compra foi rejeitada por unanimidade sob a justificativa de falta de comprovação da origem dos recursos e da capacidade financeira dos compradores.
Em outubro de 2019, a operação foi aprovada. No resumo do BC, consta apenas que o pedido atendia à legislação, sem detalhar a origem dos recursos ou as condições da mudança de entendimento.
O BC justifica a recusa em fornecer os votos completos alegando sigilo bancário e risco à estabilidade do sistema financeiro. O jornal pediu acesso com tarjas nos dados sensíveis, mas teve nova negativa.
Também houve tentativa de entrevista com o técnico responsável pelos pareceres, sem resposta da autoridade monetária.
Um e-mail citado pelo site Valor Econômico indica que Vorcaro teria apresentado como garantia títulos imobiliários considerados superavaliados pelo BC. Ainda assim, a aprovação foi concedida meses depois.
Antes da entrada de Vorcaro, o Máxima enfrentava crise de liquidez sob gestão de Saul Sabbá, denunciado por fraude contábil e que firmou acordo com a Justiça após admitir irregularidades entre 2014 e 2016.
