
O partido de oposição Tisza venceu as eleições na Hungria no domingo (12) e garantiu maioria no Parlamento, encerrando 16 anos de governo do primeiro-ministro Viktor Orbán, um dos principais nomes da direita global.

Com 95,63% das urnas apuradas, o Tisza conquistou 137 das 199 cadeiras e formará o próximo governo sob liderança de Péter Magyar. O Fidesz, de Orbán, ficou com 55 assentos, enquanto o Mi Hazánk obteve 7.
Após a vitória, Magyar afirmou que vai representar todos os húngaros e que “aqueles que fraudaram” o país “serão responsabilizados”. Também pediu a renúncia de autoridades da Suprema Corte, do Ministério Público e de órgãos reguladores.
O líder oposicionista defendeu alinhamento com a União Europeia (UE) e a Otan e disse que “a transição será pacífica e tranquila”. Segundo ele, instituições independentes foram “capturadas nos últimos 16 anos”.
Orbán reconheceu a derrota. “Os resultados ainda não são finais, mas a situação é compreensível e clara”, afirmou na sede de campanha do Fidesz durante as apurações. “O resultado da eleição é doloroso para nós, mas claro”.
O pleito húngaro teve participação recorde de 66% e foi considerado o mais relevante da Europa neste ano.
Orbán governava desde 2010, após retorno ao poder com maioria parlamentar. Durante o período, o Fidesz aprovou mudanças constitucionais e consolidou uma agenda nacionalista e conservadora.
A virada no apoio a Orbán ocorre após perda de força interna do premiê e avanço de Magyar, ex-aliado que rompeu com o governo, passou a denunciar corrupção e liderou a oposição com discurso pró-ocidente e foco em redes sociais.
Pesquisas recentes antes do pleito já indicavam vantagem do Tisza sobre o Fidesz na reta final da campanha.
