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PL da Misoginia: Senado também surfa na censura
Publicado em 18/03/2026 11:48
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Após a Câmara dos Deputados avançar com o pedido de urgência para o PL 6194/2025, que trata da misoginia digital, o Senado colocou hoje (18) em pauta uma proposta semelhante que cria a Política Nacional de Combate ao Discurso de Ódio contra a Mulher na Internet.

 

Senado também surfa em PL que amplia controle nas redes

O texto, conhecido como “Lei Ivone e Tainara”, prevê a adoção de medidas estruturais para enfrentamento de conteúdos considerados violentos no ambiente digital, ampliando obrigações para plataformas.

 

 

A matéria aguarda parecer da relatora de plenário, a senadora Teresa Leitão, e pode ter tramitação acelerada caso seja aprovado o requerimento de urgência apresentado por Randolfe Rodrigues.

 

Sistema obrigatório de ‘moderação’

O projeto determina que plataformas implementem sistemas híbridos de detecção e moderação de conteúdo, com uso combinado de inteligência artificial e revisão humana

 

 

As ferramentas deverão identificar conteúdos considerados como discurso de ódio ou incentivo à violência contra mulheres, com encaminhamento para análise e eventual remoção.

 

Cadastro nacional e bloqueio automatizado

A proposta cria o Cadastro Nacional de Bloqueio de Conteúdos Violentos, que funcionará como base para impedir a republicação de materiais classificados como ilícitos

 

Plataformas deverão consultar esse banco de dados para bloquear automaticamente conteúdos previamente identificados.

 

 

O texto também prevê a atuação de “notificadores de confiança”, que terão prioridade no envio de denúncias e tratamento acelerado pelas plataformas.

 

Modo de segurança e restrições de interação

O projeto institui o chamado “Modo de Segurança Digital”, funcionalidade que poderá ser ativada por usuárias em situações de risco

 

Entre as medidas previstas estão:

 

 

bloqueio automático de interações de contas não seguidas

ocultação do perfil em buscas

filtragem de ataques em massa

restrição de contas recém-criadas

remoção facilitada de conteúdos ofensivos

A proposta também prevê a possibilidade de um terceiro autorizado gerenciar a conta da vítima em situações emergenciais.

 

Rastreabilidade e controle estatal

O texto estabelece que serviços de mensageria privada deverão manter registros de encaminhamentos em massa por até três meses, mediante regras específicas e acesso condicionado à ordem judicial

 

Também prevê a criação de uma Autoridade Central responsável por receber denúncias, analisar conteúdos e encaminhar casos para investigação.

 

Sanções e restrições a usuários e plataformas

Entre as penalidades previstas estão:

 

desmonetização de contas por até cinco anos

restrição de visibilidade em plataformas

proibição de impulsionamento de conteúdo

multas que podem chegar a 10% do faturamento no Brasil

 

As plataformas também deverão publicar relatórios periódicos de transparência sobre moderação de conteúdo.

 

Semelhança com proposta em tramitação na Câmara

O avanço do projeto no Senado ocorre em paralelo ao PL 6194/2025, de autoria da deputada Ana Pimentel, que tramita na Câmara com pedido de urgência.

 

Ambos os textos tratam da regulação de conteúdos digitais relacionados a gênero e ampliam as obrigações de moderação por parte das plataformas, incluindo remoção de conteúdo, restrições de alcance e responsabilização de usuários.

 

O avanço do projeto mobilizou críticas de parlamentares da oposição. O deputado Mario Frias afirmou que o texto amplia mecanismos de controle sobre o ambiente digital.

 

“Querem vender como combate ao ódio, mas o que está sendo montado é vigilância disfarçada. Monitoramento constante, IA fiscalizando e poder concentrado nas mãos de denunciadores”, escreveu.

 

Críticas também se concentram na definição dos conceitos utilizados. Integrantes da oposição apontam que termos como “masculinidade hostil” são abertos e podem gerar interpretações amplas.

 

O analista Eli Vieira afirmou que a falta de critérios objetivos pode ampliar o alcance da norma.

 

 

“Se você critica uma mulher, pode virar ‘misoginia’. Não há critério claro para o uso desses conceitos”, disse.

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