
A eleição da deputada Erika Hilton (Psol-SP) para a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados gerou reação nas redes sociais e mobilização online.
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Um abaixo-assinado criado na plataforma Change.org, intitulado “Pela Representatividade Feminina na Presidência da Comissão da Mulher”, já ultrapassa 157 mil assinaturas na manhã desta sexta-feira (12).

A campanha foi divulgada com a hashtag #elenão, em referência ao movimento de mulheres que se mobilizou nas redes sociais durante a eleição presidencial de 2018.
A iniciativa é da cientista política Júlia Lucy e foi anunciada durante o programa ALive, do jornalista Claudio Dantas.
Eleição na Câmara
A deputada foi eleita na quarta-feira (11) para presidir o colegiado da Câmara responsável por discutir políticas voltadas às mulheres.
A votação terminou com 11 votos favoráveis e 10 votos em branco. O cargo permaneceu com o PSOL após acordo entre lideranças partidárias.
Hilton substitui a deputada Célia Xakriabá (PSOL-MG).
Durante o debate sobre a escolha, parlamentares da oposição ao governo do presidente Lula criticaram a decisão.
“Derrota para as mulheres na semana da mulher”, afirmou a deputada Júlia Zanatta (PL-SC).
A senadora Damares Alves (Republicanos) também questionou a escolha e declarou que os espaços institucionais destinados às pautas femininas devem ser ocupados por mulheres.
Petição online
Os organizadores do abaixo-assinado afirmam que a presidência da Comissão da Mulher deve ser ocupada por uma parlamentar cuja atuação esteja vinculada à defesa de pautas relacionadas às mulheres com base na distinção de sexo.
O texto da petição argumenta que já existem comissões e frentes parlamentares voltadas a pautas relacionadas à população LGBTQIA+ no Congresso.
“Manifestamos nossa discordância em relação à escolha da Deputada Erika Hilton. A presidência deve ser ocupada por uma parlamentar cujas bandeiras estejam alinhadas com as prerrogativas baseadas na distinção de sexo”, diz o documento.
Os signatários pedem que os líderes partidários e o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), revisem a decisão.
Reação da deputada
Após a eleição, Hilton respondeu às críticas em publicações nas redes sociais.
“E não estou nem um pouco preocupada se o esgoto da sociedade não gostou. A opinião de transfóbicos e imbeCIS é a última coisa que me importa”, escreveu a deputada.
Em outra postagem, afirmou:
“Podem espernear. Podem latir. Eu sou a presidenta da Comissão da Mulher. E foi a minha luta, a minha história e a minha garra que me trouxeram até aqui. E agora faremos um debate sobre todas as mulheres, porque somente unidas podemos frear a violência que nos assola”.
