
Lula tem tentando em vão se afastar do caso Master. Mas a contratação de Guido Mantega, relegado a segundo plano pela mídia, tem potencial de enredar o petista ainda mais no novelo em que já caíram Dias Toffoli e Alexandre de Moraes. Embora Jaques Wagner tenha admitido publicamente ter feito a indicação a Daniel Vorcaro, a pressão para ajudar o ex-ministro da Fazenda partiu do próprio presidente da República.

Foi Lula quem tentou por meses emplacar Mantega na Vale; primeiro como presidente, no lugar de Eduardo Bartolomeo; depois, como integrante do Conselho de Administração. Eram dois os objetivos: retomar a influência estatal direta sobre o caixa e sua política de investimentos; e compensar financeiramente o ex-ministro por ter mantido o bico fechado na época das investigações da Lava Jato — diferentemente do que ocorreu com Antonio Palocci, que virou delator.
O mesmo raciocínio foi aplicado no caso do ex-tesoureiro João Vaccari, que, com aval de Lula, voltou a ter influência sobre os fundos de pensão, a Petrobras e também sobre a Vale. Admitir a atuação de Vaccari nas sombras, porém, é diferente de colocar uma figura como Mantega sentado na cadeira de CEO da gigante de mineração, que tem seu capital em bolsa. Os acionistas bateram o pé e impediram a nomeação, fazendo com que Lula buscasse um prêmio de consolação ao companheiro.
Vorcaro então foi acionado por Wagner, com apoio do sócio Augusto Lima, presenteando Mantega com um contrato de R$ 1 milhão mensais – cerca de um quarto do que receberia no comando da Vale. O contrato foi assinado em março de 2024, mas o acerto foi feito antes. Em janeiro, o ex-ministro soltou comunicado anunciando ter desistido da Vale. Isso foi um mês depois da primeira visita (não registrada) do dono do Master ao Palácio do Planalto.
Na prática, o cargo de “consultor de luxo” que Vorcaro descolou para Mantega foi resultado de iniciativa presidencial, contando com ciência e respaldo do próprio Lula.
