
A CPMI do INSS cancelou a reunião prevista para esta quinta-feira (5), na qual seriam votados 18 requerimentos relacionados às investigações sobre fraudes contra aposentados e pensionistas.
Entre os pedidos que seriam analisados está a quebra de sigilo bancário e fiscal de empresas como a J&F Participações, dos irmãos Joesley e Wesley Batista. A medida foi proposta após documentos obtidos pela comissão indicarem repasses de recursos para empresa ligada a Danilo Trento, investigado por suposta participação no esquema.
O relator da CPMI, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), afirma que empresas vinculadas a Trento teriam recebido mais de R$ 36,5 milhões da J&F Participações.
A pauta também incluía pedidos de convocação de investigados e empresários ligados às apurações. Entre eles, o presidente da J&F, José Antonio Batista Costa, e o empresário Fabiano Zettel, cunhado do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
Pedidos envolvendo familiares e empresas
A reunião também analisaria requerimentos de quebra de sigilo bancário e fiscal de pessoas ligadas ao núcleo investigado.
Entre os nomes citados está Carolina Cardoso Trento, esposa de Danilo Trento, além de Letícia Caetano dos Reis.
Segundo requerimento apresentado pelo deputado Rogério Corrêa (PT-MG), Letícia seria administradora da empresa Flávio Bolsonaro Sociedade Individual de Advocacia. Ela também é irmã de Alexandre Caetano dos Reis, apontado em relatório da Polícia Federal como sócio de Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, investigado no caso das fraudes previdenciárias.
Conexão com o caso Banco Master
Parte dos requerimentos incluídos na pauta buscava investigar possível relação entre o esquema de fraudes nos benefícios do INSS e o caso envolvendo o Banco Master.
Por isso, parlamentares apresentaram pedidos de convocação do ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, e de Fabiano Zettel, ligado ao banqueiro Daniel Vorcaro.
Vorcaro e Zettel foram presos novamente nesta semana em nova fase de operação da Polícia Federal que investiga fraudes financeiras relacionadas ao banco.
Depoimentos da Dataprev
Na segunda parte da reunião cancelada, deputados e senadores ouviriam o presidente da Dataprev, Rodrigo Ortiz D’Ávila Assumpção, e o advogado Cecílio Galvão.
As convocações foram apresentadas pelo relator Alfredo Gaspar e pelos senadores Marcos Rogério (PL-RO) e Carlos Viana (PSD-MG), presidente da CPMI.
Segundo os autores dos requerimentos, a Dataprev passou a ser questionada por falhas operacionais e vulnerabilidades relacionadas à segurança cibernética.
No caso de Cecílio Galvão, Gaspar citou reportagens segundo as quais o advogado teria recebido cerca de R$ 4 milhões de associações de aposentados investigadas por descontos indevidos em benefícios do INSS.
De acordo com os relatos citados no requerimento, os valores estariam ligados à intermediação de acordos que permitiam a cobrança de mensalidades diretamente na folha de pagamento dos beneficiários.