
O que o mundo testemunhou nas últimas horas em Teerã foi a materialização de um pesadelo logístico para qualquer ditadura teocrática, ou melhor, para qualquer inimigo do governo Donald Trump. A execução de Ali Khamenei, em um ataque coordenado entre Estados Unidos e Israel, representa o ápice de uma estratégia de decapitação cirúrgica que redefine os limites da guerra moderna, descortina um sistema de inteligência disruptivo e deixa em segundo plano a diplomacia do direito internacional, por seu próprio esgotamento.
Afinal, se ditadores não respeitam a lei, massacram seu povo e ainda usam as superestruturas multilaterais como escudo, o único caminho é a força bruta. Manda quem pode, obedece quem tem juízo! Essa realidade pode ser chocante para boa parte da mídia e da academia, que se acostumou a um ecossistema de informação controlado, com frases de efeito milimetricamente ensaiadas para travestir reais e espúrios interesses, escondidos sob o manto de uma superioridade moral inexistente.
Ontem mesmo, a Chancelaria de Lula condenou e expressou “grave preocupação com os ataques” ao Irã, falando em processo de negociação e pedindo a “todas as partes que respeitem o Direito Internacional e exerçam máxima contenção, de maneira a evitar a escalada de hostilidades e a assegurar a proteção de civis e da infraestrutura civil”. Uma nota amorfa, protocolar e incapaz de provocar cócegas. Discurso irrelevante voltado para a militância interna. E só.
Na prática, Lula nada tem de neutro. Desde o início de seu terceiro e inconstitucional mandato, o petista tenta aproximar o Brasil do eixo autocrático anti-ocidental, fazendo loas ao terrorismo estatal de Khamenei e a seus tentáculos não-estatais, como Hezbollah e Hamas. Essa postura, além de burra e irresponsável, precipitou o esgotamento do capital diplomático acumulado pelo Itamaraty desde o Barão do Rio Branco.
Ao brincar como um adolescente revoltado no quintal dos EUA, acabou enquadrado e obrigado, nos bastidores, a entregar aos EUA, ativos estratégicos que vinham sendo negociados com a China. Apesar do discurso ostensivo, a verdade nua e crua é que Lula já capitulou, pois parece ter um instituto de sobrevivência maior que o de Khamenei e Nicolas Maduro. É a vantagem de não se ter qualquer capacidade militar, muito menos nuclear. Pior do que não ter soberania, é ter a ilusão dela.
Ontem, o líder espiritual iraniano foi mais um a provar da doutrina FAFO (Fuck Around, Find Out). Hoje, mesmo superpotências militares e nucleares devem pensar muito antes de entrar em conflito com Washington. A operação Epic Fury é o estado da arte da ação militar, considerando o nível de precisão do ataque e de seu planejamento, baseado em informações de inteligência que transformam qualquer bunker numa espécie de casa de palha do porquinho Cícero. Não há mais lugar seguro.
E o emprego de bombas de alta precisão reduzem a quase zero o temido efeito colateral da morte de civis. Elimina-se o líder e seu entorno — outros 40 altos funcionários e chefes militares foram mortos simultaneamente –, revelando o mapeamento total da cadeia de comando e forçando o resto da burocracia a virar a chave do regime ou correr o risco de virar pó. Tudo feito em plena luz do dia, para garantir o registro do ataque por milhares de celulares civis, viralizando nas redes e amplificando o efeito psicológico da superioridade militar americana.
O recado deixado por essa ofensiva é brutalmente claro e atinge diversos atores simultaneamente. Para o chamado Eixo da Resistência, como Hezbollah e Houthis, a mensagem é que a fonte secou; sem a cabeça da hidra em Teerã, os tentáculos regionais enfrentam agora um vácuo de comando e financiamento sem precedentes. Para outros ditadores globais, o aviso é que o conceito de soberania não serve mais como escudo para quem financia o terrorismo transnacional ou avança em programas nucleares clandestinos.
Se você se torna uma ameaça existencial, torna-se um alvo legítimo, independentemente do cargo que ocupa.
Para o povo iraniano, o vácuo de poder surge como um convite à insurgência doméstica, retirando o peso do medo que sustentava a teocracia. O veredito é inevitável: o ataque ao Irã prova que a dissuasão voltou a ser praticada através da força letal e seletiva. Washington — e, claro, Tel Aviv — abandonaram o hábito de desenhar linhas vermelhas no papel para simplesmente incinerá-las na realidade. O regime dos aiatolás, como o conhecemos, morreu junto com Khamenei. O que vem a seguir é a conta da retaliação, mas o tabuleiro geopolítico já foi irreversivelmente virado. Lula está órfão.
