
Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo renunciou ao cargo de diretor jurídico do Banco de Brasília (BRB). Em fato relevante divulgado na noite de ontem (09), o banco ligado ao governo do DF informou que a saída será efetivada no próximo sábado (14).
“O BRB reafirma seu compromisso com a ética, a responsabilidade e a transparência e manterá seus acionistas e o mercado informados, de forma tempestiva, sobre quaisquer atos ou fatos relevantes”, declararam o presidente da instituição, Nelson Antônio de Souza, e o gerente de Relações com Investidores, Matheus Brugger Simão.
O banco não informou o motivo da renúncia nem anunciou quem assumirá a diretoria jurídica do BRB.
O BRB também anunciou ontem a posse de Ana Paula Teixeira como diretora executiva de Controles e Riscos. Segundo o banco, ela “possui sólida trajetória no setor financeiro, tendo atuado como vice-presidente de Gestão de Riscos, Controles Internos, Segurança Institucional e Cibersegurança no Banco do Brasil”.
BRB e Caso Master
A mudança nas diretorias acontecem em meio à crise que envolve o BRB devido os negócios com o Banco Master, de Daniel Vorcaro e que foi liquidado extrajudicialmente pelo Banco Central (BC) em novembro do ano passado.
O BRB adquiriu R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito do Master, originadas, segundo a Polícia Federal (PF), por meio da empresa Tirreno, apontada como de fachada. Após a identificação de inconsistências, os ativos foram trocados por outros do próprio banco de Vorcaro, que também levantam suspeitas quanto à regularidade e ao valor real.
Em depoimento à PF no ano passado, o diretor de Fiscalização do BC, Ailton de Aquino, afirmou que as perdas podem superar os valores inicialmente estimados, considerando provisões relacionadas a créditos de difícil recuperação e ativos com possível deságio oriundos do banco de Vorcaro.
Em 2024, o BRB tentou adquirir o Master, mas a operação foi vetada pelo BC. A PF investiga indícios de fraude na venda das carteiras de crédito. À polícia, o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, declarou que parte relevante dos ativos foi recuperada, mas estimou em cerca de R$ 2 bi o montante considerado irrecuperável.
No ano passado, Jacques assinou parecer jurídico que recomendava ao BRB atenção aos índices de liquidez do Master, em análise feita às vésperas de o conselho de administração da estatal aprovar o negócio com o banco de Vorcaro.
O parecer foi assinado 4 dias antes de o conselho de administração do BRB dar aval à compra de 58% do capital total do Master. Ele ressalta que os indicadores de liquidez eram cruciais para a segurança do negócio.
A atual gestão do BRB busca novas fontes de recursos para absorver os prejuízos do envolvimento com o Master. Diante da crise, o BRB apresentou na última sexta (06) ao BC um plano de capital para recompor o balanço e reforçar a liquidez da instituição em até 180 dias.
