
Vorcaro é sócio direto ou indireto de 23 empresas, incluindo holdings, distribuidora e gravadora
A rede de empresas ligada a Daniel Vorcaro e outros executivos do Banco Master, do qual ele é controlador, reúne mais de 2,5 mil CNPJs, de acordo com levantamento do jornal O Estadão com base em dados da Receita Federal.
A análise considerou negócios nos quais Vorcaro, sócios e administradores do banco têm participação ou atuação direta. O grupo atua em diversos setores da economia, com predominância no segmento imobiliário, que concentra 1.246 empresas.
Segundo o levantamento, o setor costuma utilizar CNPJs diferentes para cada empreendimento. A pesquisa do Estadão incluiu empresas relacionadas a sócios, ex-sócios e administradores do Master, além de negócios de seus sócios em outros empreendimentos.
Entre os executivos mapeados estão Luiz Antônio Bull e Augusto Ferreira Lima, ambos alvos da Compliance Zero, que investiga crimes do Master contra o sistema financeiro e supostas fraudes na emissão de R$ 12 bilhões em títulos falsos.
Vorcaro é sócio direto ou indireto de 23 empresas, incluindo o próprio banco, 3 holdings que controlam ativos, a Hedgedog Trading Technology (informática), a Vinc Consultoria e Investimentos, uma distribuidora de grãos via Banco Voiter, e a gravadora Star Music, sediada em Belo Horizonte.
Ele mantém ainda participação indireta em holdings na área de saúde e em empreendimentos de comércio de cereais.
Luiz Antônio Bull, sócio e representante legal do Master, é diretor da SC Empreendimentos e Participações SPE, incorporadora de Osasco (SP). Já Augusto Ferreira Lima atua na área de tecnologia com a ACB Processamento de Dados.
Especialistas econômicos consultados pelo Estadão apontam que uma malha de CNPJs tão ampla pode dificultar o rastreamento do dinheiro entre empresas e indivíduos e não é considerada boa prática de governança, mesmo para grupos de grande porte.
Em manifestação encaminhada ao STF sobre a 2ª fase da Compliance Zero, deflagrada na semana passada, o Procurador-Geral da República, Paulo Gonet, afirmou que o Master utilizou uma “rede de entidades conectadas entre si” para realizar operações suspeitas de gestão fraudulenta.
De acordo com Gonet, o banco teria explorado “vulnerabilidades” do mercado financeiro para desviar R$ 5,7 bilhões para o patrimônio pessoal de Vorcaro e seus familiares.
Em nota, a defesa de Daniel Vorcaro afirmou que o banqueiro “tem colaborado integral e continuamente com as autoridades competentes”.
O Master é investigado pela PF por suspeita de fraude bilionária. A instituição teria criado operações de crédito falsas, simulando empréstimos e valores a receber, além de negociar essas carteiras com outros bancos, prática que integra as suspeitas de crimes investigados.