
Uma disputa judicial envolvendo o Banco Master e seu CEO, Daniel Vorcaro, terminou em derrota no Tribunal de Justiça de São Paulo. A instituição financeira e o executivo perderam a queixa-crime apresentada contra Vladimir Joelsas Timerman, fundador da Esh Capital, que havia denunciado supostas fraudes financeiras.
O processo foi o único caso conhecido em que o banco e Vorcaro foram representados pelo escritório de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, em conjunto com seus filhos Alexandre e Giuliana Barci de Moraes.
A ação teve origem em disputas societárias relacionadas à Gafisa, da qual Timerman é acionista. No contexto do conflito, o gestor levou denúncias à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), apontando supostas operações fraudulentas envolvendo fundos ligados a Nelson Tanure e ao Banco Master.
Segundo Timerman, as operações teriam como objetivo ampliar o controle de Tanure sobre a construtora, com indícios de conflito de interesses e manipulação de mercado. As denúncias deram origem a apurações conduzidas por órgãos de controle.
Após decisões desfavoráveis em todas as instâncias, o Banco Master e Vorcaro foram condenados ao pagamento de R$ 5,5 mil em honorários à defesa de Timerman. Em outubro de 2025, a 2ª Câmara de Direito Criminal do TJ-SP rejeitou o recurso da instituição, acompanhando parecer da Procuradoria-Geral de Justiça que apontou ausência de “provas suficientes de dolo específico de ofender”. O processo foi encerrado em definitivo em dezembro, após o julgamento dos embargos.
Paralelamente, Timerman protocolou notícia-crime contra Vorcaro no Ministério Público de São Paulo, sustentando a ocorrência de denunciação caluniosa. Ele afirmou que o CEO do Master teria apresentado a queixa mesmo ciente das irregularidades apontadas na Gafisa.
Na representação, Timerman declarou que a contratação do escritório “da esposa de um ministro do STF”, entre “dezenas de escritórios que defendem a instituição”, teve “evidente propósito intimidatório”, conforme registrado na notícia-crime.
O contrato entre o Banco Master e o escritório Barci de Moraes, apreendido na primeira fase da Operação Compliance Zero, previa honorários de até R$ 130 milhões. O acordo não foi integralmente executado após a liquidação do banco pelo Banco Central, em novembro do ano passado.
Mensagens obtidas durante a investigação indicam que Vorcaro tratava como prioritários os pagamentos ao escritório, mesmo diante da crise financeira da instituição. Timerman também ressaltou que denúncias feitas ao Ministério Público Federal em 2023 resultaram na abertura de inquérito e, posteriormente, em denúncia por insider trading contra Tanure, o que, segundo ele, reforça a legitimidade das acusações.
Ele citou ainda parecer da Procuradoria-Geral de Justiça de São Paulo, em ação movida por Tanure, que considerou procedentes denúncias envolvendo o empresário, a Gafisa e o Banco Master.