
As investigações sobre irregularidades no Banco Master identificaram suspeitas de criação e negociação de títulos de crédito inexistentes, tentativas de burlar a fiscalização do Banco Central e operações financeiras com rentabilidade considerada atípica. Com base nessas apurações, a Polícia Federal deflagrou, nesta quarta-feira (14), a segunda fase da Operação Compliance Zero.
O dono da instituição, Daniel Vorcaro, voltou a ser alvo de mandados de busca e apreensão. Ele havia sido preso na primeira fase da operação, em novembro, e posteriormente liberado.
Operações com o BRB
As apurações indicam que o Master e o Banco de Brasília teriam criado títulos de crédito que não existiam para justificar a transferência de R$ 12,2 bilhões do banco estatal para a instituição privada. O BRB chegou a negociar a compra do Master, operação que foi barrada pelo Banco Central. Em seguida, a autoridade monetária decretou a liquidação da instituição financeira.
Segundo investigadores, o BRB realizou operações consideradas inconsistentes com o Master enquanto o Banco Central analisava a proposta de venda, o que teria dado sobrevida temporária ao banco de Vorcaro.
Transações relâmpago e rentabilidade extrema
Parte das irregularidades foi identificada pelo Banco Central e encaminhada às autoridades de investigação. Um dos pontos que chamou a atenção foi uma sequência de transações relâmpago realizadas por fundos de investimento administrados pela Reag DTVM, a partir de um empréstimo de R$ 459 milhões concedido pelo Master.
Uma dessas operações apresentou rentabilidade de 10.502.205,65% em 2024, segundo os dados analisados. Entre os fundos citados está o Brain Cash, que, com cerca de 20 dias de existência, recebeu R$ 450 milhões oriundos de um empréstimo do banco e multiplicou o patrimônio em aproximadamente 30 mil vezes. A movimentação foi a única registrada no balanço do fundo, que contava com um único investidor, uma empresa dirigida por ex-funcionária da gestora.
De acordo com o Banco Central, empréstimos concedidos pelo Master a 36 empresas foram aplicados em fundos com rendimento incerto e inferior ao custo das operações. Em agosto do ano passado, o volume dessas transações superava mais de duas vezes o patrimônio da instituição.
Defesa
Em nota, a defesa de Daniel Vorcaro afirmou que o empresário “tem colaborado integral e continuamente com as autoridades competentes” e que “todas as medidas judiciais determinadas no âmbito da investigação serão atendidas com total transparência”.
“O Sr. Vorcaro permanece à disposição para prestar esclarecimentos sempre que solicitado, reforçando seu interesse no esclarecimento completo dos fatos e no encerramento célere do inquérito”, diz o comunicado.