
Voltou a circular na internet vídeo constrangedor de Lula defendendo a eleição de Nicolás Maduro, em 2013. “Maduro presidente é a Venezuela que Chávez sonhou”, disse o petista. A mensagem poderia ter apenas ‘envelhecido mal’, como se costuma dizer, caso reconhecesse — e condenasse — a ditadura sanguinária comandada pelo sucessor de Hugo Chávez.
Lula, porém, seguiu apoiando toda a barbárie e até recebeu Maduro com honras de chefe de Estado há 3 anos, quando assumiu o terceiro mandato e quando todas as violações de direitos humanos na Venezuela já eram conhecidas do mundo e registradas em diferentes relatórios, inclusive na ONU.
Num dos pronunciamentos mais canalhas já feito por Lula, disse que “o conceito de democracia é relativo”, que Maduro era alvo de uma “narrativa” construída por seus opositores e que a Venezuela realizou “mais eleições que o Brasil”. Em 2025, voltou a defender o ditador, dizendo que “nenhum país pode dar palpite no destino venezuelano”.
Metrôs e Siderúrgicas
A aliança história e o apoio explícito alimentam agora boatos de que Lula poderia vir a ser alvo de um acordo de colaboração de Maduro com a Justiça americana. Muito mais do que a Lava Jato revelou, com o financiamento ilegal via BNDES de obras superfaturadas para abastecer o caixa 2 de suas campanhas e de aliados na região.
Maduro certamente poderá confirmar detalhes da delação de Mônica Moura, mulher do publicitário João Santana, segundo a qual o então chanceler entregou-lhe pessoalmente US$ 11 milhões em espécie para pagar parte da campanha de reeleição de Chávez em 2012.
O dinheiro era entregue em malas ou pastas diretamente na sede da chancelaria venezuelana, algumas vezes contando com escolta armada para garantir a segurança da movimentação. O custo total da campanha foi de US$ 35 milhões, com a maior parte paga por fora por Odebrecht e Andrade Gutierrez.
Esquema muito maior
Considerando as cifras bilionárias movimentadas, o relatado pela publicitária é apenas um grão de areia no mar de corrupção do PT e de seus aliados regionais, no âmbito do Foro de São Paulo. Eu mesmo revelei anos atrás que o projeto do Estaleiro Astialba, liderado pela Andrade Gutierrez na Península de Araya, recebeu R$ 2,2 bilhões e nunca saiu do papel.
Outro monumento à corrupção foi a Siderúrgica Nacional Abreu e Lima, a cargo também da Andrade Gutierrez e que recebeu US$ 865 milhões (em valores de 2010), nunca entregue. A lista de obras com indícios de superfaturamento e corrupção inclui, por exemplo, os metrôs de Caracas e Los Teques (Odebrecht), que receberam R$ 3,9 bilhões do BNDES.
Nas obras da linha 5, nunca concluídas, foi injetado R$ 1,6 bilhão.
Dívida bilionária paga pelo cidadão brasileiro
Os financiamentos dessas obras, finalizadas ou não, tampouco foram pagos pelo regime venezuelano, somando uma dívida que hoje ultrapassa os R$ 10,3 bilhões e que Lula apenas finge cobrar.
Nos últimos anos, a Venezuela entrou em estado de inadimplência severa, e como os empréstimos eram garantidos pelo Fundo de Garantia à Exportação (FGE), o Tesouro Nacional brasileiro (ou seja, o contribuinte) foi obrigado a cobrir o calote deixado pelo governo de Maduro.
Na prática, o Brasil sob o regime petista funcionou como uma espécie de braço financeiro do Foro de São Paulo, enquanto a Venezuela de Maduro e Chávez era o braço operacional. O ex-ditador, portanto, é um arquivo vivo de todo o sistema que manteve — e mantém — esses regimes, o que inclui a compra da mídia, de apoio político e também do Judiciário.