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Nikolas em carta sobre caminhada: “Não é um gesto de vaidade. Não é espetáculo”
Publicado em 20/01/2026 13:59
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O deputado federal Nikolas Ferreira divulgou nesta segunda-feira (19) uma carta aberta para explicar os objetivos da caminhada iniciada no interior de Minas Gerais com destino a Brasília. O parlamentar afirmou que o ato é simbólico e não tem a pretensão de resolver, de forma imediata, os impasses políticos e jurídicos do país.

 

Na carta, Nikolas diz que a mobilização não deve ser interpretada como solução definitiva para a situação do ex-presidente Jair Bolsonaro nem para os presos pelos atos de 8 de janeiro de 2023. “E não, esta caminhada não é uma bala de prata. Não é um gesto para resolver todos os problemas do Brasil”, escreveu.

 

A caminhada, batizada de “caminhada pela liberdade”, começou em Paracatu (MG) e deve percorrer mais de 200 quilômetros pela BR-040 até a capital federal. No primeiro dia, o grupo percorreu cerca de 30 quilômetros. A previsão é de chegada a Brasília no domingo (25), quando apoiadores pretendem realizar uma manifestação.

 

Segundo o deputado, o ato tem caráter pacífico e busca chamar atenção para o que classifica como violações de direitos e perseguição política. Ele afirmou que a iniciativa não pretende substituir instituições nem afrontar a lei. “Trata-se apenas do exercício legítimo do direito de ir e vir e do direito de manifestação, garantidos pela Constituição”, escreveu.

 

Parlamentares aliados anunciaram adesão ao trajeto nos próximos dias. Nikolas afirmou que a mobilização tem como objetivo demonstrar apoio político e solidariedade aos envolvidos, além de pressionar o Congresso em pautas relacionadas à dosimetria das penas.

 

Ao final da carta, o deputado reforçou o caráter simbólico da iniciativa. “A liberdade não se pede de joelhos; defende-se de pé”, concluiu.

 

 

Veja carta completa de Nikolas Ferreira:

“Escrevo estas linhas para explicar, com o coração aberto, por que decidi caminhar de Minas Gerais até Brasília. Não é um gesto de vaidade. Não é espetáculo. É um ato de consciência, de amor ao Brasil e de compromisso com a liberdade.

 

A desumanização dos brasileiros presos após o dia 8, submetidos a processos ilegais, parciais e arbitrários, bem como a perseguição sistemática a opositores políticos, entre eles Jair Bolsonaro, não são fatos isolados. São sintomas de algo muito mais profundo e perigoso: o cansaço moral de uma nação que vê o mal triunfar sem consequências, escândalos sucederem escândalos, o crime organizado avançar sobre o território e as instituições, enquanto o cidadão honesto é esmagado por um Estado inerte para proteger o bem, mas voraz para cobrar impostos.

 

Esta caminhada nasce, portanto, não apenas como um clamor por justiça a casos concretos, mas como um chamado à consciência nacional, para reavivar no brasileiro a esperança, a coragem de fazer o que é certo e a disposição de enfrentar e derrotar o mal que tenta se normalizar entre nós. O povo brasileiro encontra-se inerte, não apenas pelo medo, como muitos acreditam, mas por um estado de paralisia psicológica construído de forma deliberada e intencional.

 

Dito isso, este ato é uma etapa pela liberdade e pelo tratamento digno aos presos do dia 8 de janeiro, que foram submetidos a violações de direitos humanos e de garantias fundamentais. E também ao Jair Bolsonaro, Filipe G. Martins, Coronel Naime e tantos outros que sofrem dos mesmos abusos processuais.

 

Por isso, esta causa passa, necessariamente, pela derrubada do veto à dosimetria das penas no Congresso.

 

Chegarei a Brasília no dia 25 de janeiro para mostrar, com presença física e pacífica, que ainda há brasileiros atentos, solidários e comprometidos com a justiça, com a dignidade humana e com a liberdade.

 

E se nada der “certo”? Ainda assim, precisamos fazer o que é certo, sem viver apenas da expectativa de que tudo dê certo. Se os presos injustamente do dia 8 e o presidente Jair Bolsonaro se sentirem acolhidos, perceberem o carinho do povo brasileiro, souberem que não estão abandonados e houver um despertar da consciência nacional, então cada quilômetro percorrido já terá valido a pena.

 

A caminhada será ordeira e pacífica. Não tem como objetivo praticar crimes ou gerar desordem. Trata-se apenas do exercício legítimo do direito de ir e vir e do direito de manifestação, garantidos pela Constituição a qualquer cidadão.

 

E não, esta caminhada não é uma bala de prata. Não é um gesto para resolver todos os problemas do Brasil, nem pretende substituir instituições, leis ou o dever de cada cidadão. Ela é, antes de tudo, um ato simbólico – e símbolos importam mais do que muitos imaginam.

 

Que cada brasileiro saiba: a liberdade não se pede de joelhos; defende-se de pé”.

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