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Cronologia dos fatos envolvendo Master complica versão de Moraes
Publicado em 23/12/2025 12:40
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Alexandre de Moraes diz que seus contatos com Gabriel Galípolo tinham por objetivo obter esclarecimentos sobre os efeitos da Lei Magnitsky. O problema é cronológico, já que Malu Gaspar contou que o encontro entre ambos se deu em julho e que foi precedido de três telefonemas anteriores. Para a versão do ministro fazer sentido, todos os contatos e a reunião precisariam ter ocorrido entre os dias 30 — quando a Magnitsky foi aplicada — e o dia 31, último dia do mês. Não faz sentido algum.

 

É curioso notar que o comunicado à imprensa divulgado por Moraes é genérico, não detalha datas das conversas com as autoridades citadas e tampouco desmente efetivamente que o tema Master tenha sido tratado em algum momento, ainda que de forma lateral. O tom adotado também se distancia muito do estilo contundente do ministro. Embora fale em ‘esclarecimento’, não há qualquer menção ao contrato de R$ 129 milhões firmado por sua mulher Viviane Barci com Daniel Vorcaro.

 

Aí há outra questão cronológica ainda mais sensível. Segundo o Globo, o contrato com a esposa do ministro teria sido assinado em 16 de janeiro de 2024, muito antes da investigação do MPF sobre a aquisição pelo BRB de carteiras problemáticas do Master; antes até da própria negociação em si. Até aquele janeiro, o banco de Vorcaro não era alvo de processos e nem de matérias negativas; o que se lia eram notícias positivas sobre sua expansão.

 

Por que diabos, então, o Master precisaria contratar o escritório de Viviane para representá-lo junto ao BC, ao Cade, à Receita e Congresso Nacional? Sem explicações razoáveis por parte de Vorcaro, de Viviane e de Moraes, resta à Polícia Federal verificar, pela quebra do sigilo bancário, quando ocorreram os primeiros pagamentos de R$ 3,6 milhões ao escritório de advocacia.

 

 

Caso só tenham começado recentemente, estaríamos diante de outra fraude: a assinatura retroativa para despistar qualquer relação com o caso do BRB. Caso tenham começado lá em janeiro de 2024, é preciso fazer outro tipo de questionamento: quando e como se estabeleceu essa relação entre Viviane/Moraes e Vorcaro? Se conheciam antes, atuaram preventivamente na estratégia agressiva de expansão do banco?

 

Há ainda outro dado cronológico a ser considerado, no caso da tentativa de compra do Master pelo BRB. Ela foi anunciada apenas em 31 de março de 2025, um mês após Moraes arquivar definitivamente o inquérito aberto contra o governador do DF, Ibaneis Rocha, por causa do 8 de janeiro.

 

Na esfera cível, o MPF se manifestou pelo arquivamento em 1o de fevereiro de 2024, duas semanas após a assinatura do contrato de Viviane com Vorcaro e mesmo dia da posse de Ricardo Lewandowski no Ministério da Justiça e da Segurança Pública; quando teve que se afastar de todas as suas atividades privadas, incluindo a participação no comitê de notáveis do Master.

 

Como registramos dias atrás, o Master gastou em 2024 cerca de R$ 580 milhões em consultorias jurídicas. Não se sabe até agora quanto Lewandowski recebeu do banco, na condição de conselheiro. Outros nomes de peso, como Henrique Meirelles e Michel Temer também atuaram como consultores de Vorcaro; embora não se conheça também os valores envolvidos.

 

Seja como for, o caso Master, por suas conexões e lacunas, vai se consolidando como um dos maiores mistérios da República.

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