
Mariângela Fialek é investigada por irregularidades na liberação de recursos durante a gestão de Arthur Lira
A ex-assessora do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), Mariângela Fialek, foi alvo de uma operação da Polícia Federal nesta sexta-feira (12), na investigação de irregularidades na destinação de emendas parlamentares. A operação, batizada de Transparência, cumpre dois mandados de busca e apreensão em Brasília, expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Mariângela Fialek, conhecida como Tuca, trabalhou como chefe da assessoria especial de Lira entre 2021 e 2024 e, atualmente, ocupa um cargo na liderança do Partido Progressista (PP) na Câmara, com salário de R$ 23.732,92. Ela é investigada por suspeita de envolvimento no esquema de “orçamento secreto”, que permitia a alocação de emendas parlamentares sem a identificação dos responsáveis, mecanismo proibido pelo STF em 2022.
Fialek, que é formada em Direito, tem mais de 20 anos de experiência em funções de assessoramento legislativo e foi uma das principais responsáveis pela liberação dos recursos durante a presidência de Lira na Câmara. A ex-assessora também acumulou cargos no Conselho Fiscal da Codevasf (Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Paranaíba) e na Caixa Econômica Federal, ambos órgãos ligados ao Centrão, e responsáveis pela distribuição de emendas.
De acordo com investigações, Fialek estaria envolvida no controle de mais de R$ 10 bilhões em emendas durante o período de funcionamento do orçamento secreto. Ela é descrita como a principal operadora das emendas de relator, sendo frequentemente procurada por parlamentares que buscavam alocar recursos.
A operação investiga crimes como peculato, falsidade ideológica, uso de documento falso e corrupção, e está relacionada a um esquema de desvio de recursos públicos. As buscas foram realizadas na residência e no local de trabalho de Fialek.
Durante sua atuação, Fialek foi responsável por coordenar a liberação de recursos de emendas, especialmente quando Lira estava à frente da Câmara. Ela é vista como uma das figuras centrais no processo de distribuição de verbas durante o período do orçamento secreto.
A operação da Polícia Federal segue em andamento e visa esclarecer as irregularidades apontadas no uso de emendas parlamentares.
A assessoria do ex-presidente da Câmara negou à equipe deste site qualquer envolvimento entre Arthur Lira e Mariângela Fialek, afirmando que ela é “servidora ligada à Câmara”, e não ao deputado. A assessoria também reforçou que não houve buscas no gabinete do parlamentar e que ele não é alvo da operação.
