
O presidente Lula (PT) afirmou hoje (22), na abertura da 81ª Assembleia Geral da ONU, em Nova York, que a organização vive o momento mais crítico desde sua primeira participação na tribuna, em 2003. Disse estar movido pela “indignação” e declarou que a credibilidade do organismo “nunca esteve tão baixa”.

Ao final da fala, ligou o discurso às eleições de 4 de outubro no Brasil. Afirmou que não permitirá que “inimigos da democracia, internos e externos” atentem contra a vontade popular.
Lula acusou o governo de Benjamin Netanyahu de praticar “genocídio” em Gaza.
Classificou o uso de tarifas como instrumento de “coerção e chantagem”. Sobre a postura dos Estados Unidos na região, declarou: “Na América Latina e Caribe, a proximidade geográfica com a maior potência militar do mundo é inescapável, sobretudo num contexto de tentações hegemônicas”.
Lula repetiu a frase: “O Brasil não cabe no quintal de ninguém”.
Sobre o cenário eleitoral internacional, declarou: “A democracia está novamente em xeque. Voltamos a presenciar a ingerência externa em processos eleitorais”. Acrescentou: “A divisão do mundo em zonas de influência e investidas neocoloniais por recursos estratégicos constituem gestos anacrônicos”.
Lula voltou a criticar o poder de veto dos 5 membros permanentes do Conselho de Segurança: China, Estados Unidos, França, Reino Unido e Rússia. Segundo ele, o cenário é agravado pelo “imobilismo” do colegiado. Disse que o Brasil já alertava para os riscos do mecanismo desde 1946, na 1ª sessão da Assembleia Geral da ONU.
Sobre o veto, declarou: “Esse vício deu origem à Carta da ONU, que conferiu às grandes potências o privilégio da insensatez. Esse pecado original soma-se agora a uma profunda crise de liderança”.
Disse que a ONU “está falhando em uma das suas missões mais elevadas, a de livrar a humanidade do flagelo da guerra”. Acrescentou: “Somos reféns do imobilismo de um Conselho de Segurança que não cumpre seu papel”.
Reconheceu “a realidade do poder”, mas disse que as concessões à “lei do mais forte” já ultrapassaram os limites. Defendeu: “No mundo interdependente, liderar é conciliar interesses da pátria com os da humanidade”.
Sobre segurança pública, disse ter entregado pessoalmente ao presidente dos Estados Unidos uma proposta que afasta a possibilidade de um cerco militar ao Brasil. Declarou: “Estamos preparados para enfrentar as organizações criminosas que aterrorizam nossas comunidades”. Acrescentou: “Não precisamos de porta-aviões vigiando nossas águas”.
Classificou o Brasil como país “amante da paz” e mencionou a luta contra a ditadura militar. Sobre a parceria com a China, declarou: “Iniciativas como o Grupo de Amigos da Paz, criado por Brasil e China, revelam que há força da comunidade internacional dispostas a trabalhar pelo diálogo”. Também disse: “Somos chamados a optar entre o multilateralismo e unilateralismo, democracia ou extremismo, soberania ou subordinação”.
