
O governo dos Estados Unidos incluiu o Brasil em uma lista com mais de 40 países que, segundo a Casa Branca, ajudam a China a contornar tarifas de importação. A classificação consta no relatório “The Great Transshipment Scam” (O Grande Esquema de Transbordo), divulgado ontem (13).

Segundo o documento, o regime comunista chinês envia mercadorias para outros países para que sejam embaladas ou montadas antes de chegarem ao mercado americano. A prática, chamada de transbordo comercial (transshipping, em inglês), permitiria alterar a origem declarada dos produtos e reduzir o impacto das tarifas impostas por Washington.
A Casa Branca afirma que o mecanismo mascara o volume real das importações chinesas nos Estados Unidos. Embora os registros indiquem queda na entrada direta de produtos da China, o governo americano sustenta que as mercadorias continuam pressionando a indústria, os empregos e a arrecadação tributária do país.
“Durante anos, o grande golpe do transbordo comercial permitiu que a China comunista lavasse suas exportações”, declarou o assessor comercial da Casa Branca, Peter Navarro, ao apresentar o relatório a jornalistas.
Navarro afirmou, porém, que o foco das críticas está nos países que facilitariam a entrada indireta dos produtos chineses no mercado americano.
O relatório divide os países apontados em três níveis conforme o grau de integração econômica com a China. O Brasil aparece no “nível 2”, classificado como “integração econômica significativa”, ao lado de Indonésia, Malásia, Tailândia, Turquia e Vietnã.
De acordo com o governo Trump, os países desse grupo reúnem volumes relevantes de transbordo comercial e possuem conexões com cadeias de abastecimento chinesas, estruturas industriais, sistemas logísticos ou canais regionais usados para redirecionar mercadorias.
O Brasil é descrito pela Casa Branca como uma “importante plataforma regional de produção e logística” que poderia ser utilizada para simular transformações em produtos e, dessa forma, modificar sua origem declarada.
O documento também classifica Brasil, Argentina, Chile, Colômbia e Peru como “corredores latino-americanos”. Segundo o relatório, esses países podem ser utilizados para redirecionamento de mercadorias pelos oceanos Pacífico e Atlântico, armazenamento alfandegado e montagem regional.
O “nível 1” inclui Canadá, União Europeia, Índia, Israel, Japão, México, Coreia do Sul e Taiwan. Segundo o relatório, esses mercados concentram os “maiores volumes absolutos” de transbordo, embora apresentem “risco embutido em fluxos comerciais amplos e legítimos”.
Navarro afirmou que países como a Índia também podem utilizar o mecanismo para escapar de novas tarifas. Segundo ele, os acordos comerciais negociados pelo governo Trump deverão incluir cláusulas para responsabilizar parceiros que recorrerem ao transbordo.
O “nível 3” reúne economias menores que, conforme a avaliação americana, movimentam volumes mais baixos, mas possuem condições que podem facilitar o redirecionamento de produtos associados à China. Camboja, Laos e Panamá estão entre os países desse grupo, o mais numeroso dos 3.
