
As investigações envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, ainda não provocaram um impacto significativo na imagem do presidente Lula (PT), mas têm potencial para se transformar em um dos principais temas da campanha eleitoral de 2026. Essa é a conclusão da mais recente edição do Painel Narrativo Semanal do Instituto Democracia em Xeque (DX), divulgada nesta terça-feira (4).

De acordo com o estudo qualitativo, a reação inicial de Lula ao caso foi bem recebida pelos chamados eleitores pendulares, grupo formado por pessoas que votaram em Jair Bolsonaro em 2018, migraram para Lula em 2022 e permanecem indecisas para a próxima eleição. Para esse segmento, a decisão do presidente de afirmar que não interferirá nas investigações foi considerada a postura esperada de um chefe de Estado, evitando um desgaste imediato.
Em entrevista ao podcast Inteligência Ltda., Lula afirmou que o filho não terá tratamento diferenciado caso seja responsabilizado. Segundo o presidente, “se meu filho for acusado de qualquer coisa, ele será tratado como o filho de qualquer pessoa” e não receberá qualquer privilégio.
Apesar da reação inicial considerada positiva, o levantamento destaca que a tranquilidade pode ser temporária. Os pesquisadores avaliam que o eleitor não interpretou a declaração de Lula como um gesto extraordinário, mas como uma obrigação institucional. Por isso, eventual avanço das investigações ou surgimento de novos fatos poderá ampliar o desgaste político do presidente durante a campanha.
O estudo também mostra que o comportamento do eleitor continua sendo fortemente influenciado pela rejeição ao adversário. Antes de justificar o voto em determinado candidato, os participantes tendem a explicar por que não confiam no outro. Nesse cenário, Lula ainda preserva vantagem por ser associado às políticas sociais e à defesa da soberania nacional, mas o instituto conclui que sua margem para enfrentar novas crises ficou mais estreita.
Segundo a análise, a chamada “proteção com baixa emoção”, expressão utilizada pelo Democracia em Xeque para definir o apoio recebido por Lula entre os eleitores indecisos, pode ser rapidamente enfraquecida caso a investigação sobre Lulinha produza novos desdobramentos.
Fábio Luís Lula da Silva é alvo de investigações que apuram suspeitas de tráfico de influência por suposta atuação junto ao governo em benefício de empresas privadas. Para o instituto, o episódio reúne potencial para ser explorado pela oposição ao longo de toda a disputa presidencial de 2026.
