
O presidente Lula (PT) afirmou nesta quarta-feira (29), durante a convenção nacional do Partido Socialista Brasileiro
(PSB) que oficializou Geraldo Alckmin (PSB) como candidato a vice-presidente na chapa à reeleição, que não permitirá interferências estrangeiras nas eleições brasileiras.

Em discurso marcado por críticas indiretas aos Estados Unidos e ao presidente da Argentina, Javier Milei, o petista também revelou que o governo brasileiro negou vistos a dois representantes do Departamento de Estado norte-americano.
Ao citar o presidente dos EUA, Donald Trump (Republicano), Lula disse que pretende enfrentar adversários na “guerra da narrativa”.
“Eu não quero inimigo. […] O cara diz que tem o maior avião do mundo, a maior bomba atômica do mundo, o maior Exército do mundo. Eu quero briga com ele? Eu só tenho vocês. Eu quero paz e quero derrotá-los na narrativa. Eu quero fazer é a guerra da narrativa. Quem está falando a verdade ou quem está falando a mentira?”, declarou.
Na sequência, o presidente anunciou que o governo brasileiro rejeitou pedidos de visto apresentados por dois integrantes do governo americano que, segundo ele, viriam ao Brasil para acompanhar o processo eleitoral.
“Essa semana nós tivemos que negar um visto para dois jovens que eles estão mandando para o Brasil para se intrometer nas eleições brasileiras. Nós negamos o visto.”
Em seguida, Lula reforçou que, enquanto estiver na Presidência da República, não aceitará interferência estrangeira nas eleições nacionais.
“Enquanto eu for presidente, enquanto eu for vivo, ninguém de fora vai meter o bedelho nas eleições brasileiras.”
Vistos negados
As declarações ocorrem após o governo brasileiro negar vistos diplomáticos a Riley M. Barnes e Samuel Samson, integrantes do Departamento de Estado dos Estados Unidos que planejavam visitar Brasília para reuniões relacionadas ao sistema eleitoral brasileiro.
Segundo informou o The Washington Post, a missão previa encontros com autoridades brasileiras e interlocutores ligados ao debate sobre o processo eleitoral. O Departamento de Estado confirmou que a viagem estava em planejamento.
Em nota, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) informou que foi procurado pela Embaixada dos Estados Unidos para tratar de uma possível visita institucional, mas afirmou que a reunião não ocorreu em razão do recesso do Judiciário. A Corte acrescentou que promoverá um novo encontro com representantes diplomáticos em agosto, incluindo a representação americana.
Acompanhamento dos EUA
Como antecipado pelo Portal Claudio Dantas, integrantes do governo norte-americano acompanham com atenção o processo eleitoral brasileiro.
Durante o programa ALive, exibido na última segunda-feira (27), o vereador brasileiro nos Estados Unidos Maurício Galante afirmou ter conversado com uma autoridade em Washington sobre o tema e disse que o governo americano avalia o cenário político brasileiro e a transparência das eleições.
Segundo Galante, existe a possibilidade de os Estados Unidos adotarem medidas diplomáticas e econômicas caso concluam que o processo eleitoral brasileiro não atende aos critérios considerados democráticos. Ele também afirmou que Washington analisa aspectos técnicos do sistema eleitoral e acompanha o tema como parte de sua política para a América Latina.
