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Brasil quase dobra número de moradores de rua desde posse de Lula
Publicado em 06/07/2026 11:35
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A população em situação de rua cadastrada no Cadastro Único (CadÚnico) quase dobrou desde o início do 3º mandato de Lula (PT). Os registros passaram de 198,7 mil pessoas em dezembro de 2022, último mês antes da posse do petista, para 392,4 mil em junho de 2026. O aumento foi de 97,4%, o equivalente a 193,6 mil novos cadastros.

O CadÚnico é a principal base federal de identificação de famílias de baixa renda e pessoas em situação de rua. Desde janeiro de 2023, a plataforma passou a registrar, em média, cerca de 4,6 mil novos moradores de rua por mês. Entre 2019 e 2022, essa média era de aproximadamente 2 mil registros mensais.

 

A aceleração começou ainda no período pós-pandemia, em 2022, mas permaneceu elevada durante o governo Lula e voltou a se intensificar no 1º semestre de 2026.

 

 

O comportamento dos dados enfraquece a hipótese de que a alta observada em 2023 seria consequência apenas de cadastros represados durante a pandemia. Caso esse fosse o único fator, a tendência seria de desaceleração dos registros nos anos seguintes, o que não ocorreu.

 

Os números, porém, não representam um censo nacional da população em situação de rua. Como se tratam de registros administrativos do CadÚnico, o crescimento pode refletir tanto o aumento desse público quanto a ampliação do cadastramento e da atualização das informações pelos municípios. Ainda assim, a comparação utiliza a mesma base de dados ao longo do tempo e mostra crescimento contínuo.

 

Em dezembro de 2023, o governo federal lançou o Plano Nacional Ruas Visíveis, com investimento inicial de R$ 982 milhões para enfrentar a crise. Na época, o CadÚnico registrava 262,5 mil pessoas em situação de rua. Desde então, foram incorporados mais 130 mil registros.

 

Em julho de 2025, outra medida ampliou o acesso desse público ao Bolsa Família. Uma portaria passou a incluir famílias com pessoas em situação de rua entre os grupos prioritários para ingresso no programa. A política, porém, gerou questionamentos no Congresso.

 

O Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social atribui parte do crescimento à melhoria do CadÚnico. Segundo a pasta, foram retomadas em 2023 as capacitações de entrevistadores e operadores do sistema, fortalecendo o cadastramento pelos municípios. O ministério também afirma que houve subnotificação entre 2019 e 2022.

 

O ex-ministro da Cidadania Osmar Terra contesta essa explicação. “Não existe subnotificação no governo anterior. Quem faz esse levantamento, quem dá e fornece esses números, são os municípios. São, em geral, funcionários dos municípios, da área social, que fazem esse levantamento. Então, não depende do governo federal o número. O número não é inventado pelo governo federal. O número já vem dos municípios, e são as mesmas pessoas, normalmente, que estão num período de governo federal e no outro período de governo federal subsequente”, afirmou à Gazeta do Povo.

 

 

Em nota ao jornal, o MDS afirmou que “o número de pessoas em situação de rua aumentou por fragilização de vínculos familiares, como casos de violência e abuso, além de desemprego, crises econômicas e eventos climáticos extremos”. A pasta acrescentou que “o Cadastro Único também ficou mais eficiente”.

 

Questionado sobre quais estudos ou dados comprovam a alegada subnotificação nos governos anteriores, o ministério não respondeu.

 

Regionalmente, o maior avanço proporcional ocorreu no Norte. O número de pessoas em situação de rua cadastradas passou de 4,9 mil em janeiro de 2023 para 22,8 mil em junho de 2026, alta de 367%. Já o Nordeste registrou crescimento de 109%, com os cadastros passando de 29,1 mil para 61 mil. Nas demais regiões, o aumento foi de 85% no Sudeste, 83% no Sul e 79% no Centro-Oeste.

 

Entre os estados, Roraima apresentou um dos maiores avanços. Os registros saltaram de 1.460 pessoas em janeiro de 2023 para 10.162 em junho de 2026, quase sete vezes mais. Em Rondônia, a alta foi de 450%. São Paulo, que concentra o maior número absoluto de pessoas em situação de rua cadastradas no país, registrou aumento de 88% no período.

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