
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou nesta manhã (04) que os argumentos apresentados pelos EUA para justificar a aplicação de tarifas sobre produtos brasileiros “não são legítimos”. A declaração foi dada em entrevista à GloboNews, diretamente de Paris, onde participou de uma reunião da OCDE.

Segundo o chanceler, o governo brasileiro já encaminhou aos Estados Unidos informações para contestar as investigações que podem resultar na imposição de tarifas contra o país.
“Demos todas as informações necessárias. O que nós esperamos é que isso tudo seja levado em conta e que fique comprovado que não há porquê sermos objeto de tarifas, porque todos os argumentos apresentados nós provamos que não são legítimos”, afirmou o ministro à emissora.
Vieira também relatou uma conversa com o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, durante o encontro da OCDE: “Conversamos, ele disse que estavam tendo ótimas conversas com o Brasil. Eu disse que é do nosso interesse manter conversas sobretudo depois dos anúncios, dos laudos, dos relatórios finais das duas investigações sobre a seção 301. Ele disse que estava pronto para continuar a conversa e que sempre o diálogo tinha sido muito bom”.
De acordo com o ministro, ele disse a Greer que os dois países seguirão “conversando e acertando”. Vieira também afirmou ter lembrado ao representante dos EUA que a recomendação de tarifas foi apresentada antes do término do prazo acordado entre os presidentes Lula e Donald Trump durante reunião realizada em Washington, no início de maio.
Na ocasião, os dois líderes estabeleceram um período de 30 dias para que os governos buscassem uma solução negociada para as divergências comerciais.
A declaração ocorre dias após o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) recomendar a aplicação de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros e anunciar uma proposta de sobretaxa adicional de 12,5%, relacionada a alegações de falhas no combate ao trabalho forçado.
