
O Ministério Público de São Paulo (MPSP), por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO), deflagrou nesta manhã (28) a Operação Fluxo Oculto, desdobramento da Operação Carbono Oculto, considerada a maior ação contra o crime organizado da história do País e que apura a infiltração do PCC no setor de combustíveis e no mercado financeiro.

Estão sendo cumpridos 55 mandados de busca e apreensão no momento, contando também com apoio dos GAECOs dos Ministérios Públicos do Rio de Janeiro, de Minas Gerais e do Paraná.
O objetivo da nova operação é avançar, de acordo com o MP, no “desmantelamento do esquema de fraudes, sonegação e lavagem de dinheiro no setor de combustíveis por meio da apreensão de evidências dos ilícitos e da identificação de outros eventuais participantes”.
Os focos principais da ação de hoje são mais seis fintechs descobertas e a adulteração de combustível com uso de nafta (solvente). Também fazem parte da ação a Receita Federal, a Agência Nacional de Petróleo (ANP), a Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo, a Procuradoria-Geral do Estado, a Polícia Militar e a Polícia Civil.
Segundo o MPSP, após a deflagração da Carbono Oculto, “foram descobertas mais seis fintechs que atuavam como bancos paralelos da organização criminosa”: “Elas compunham um poderoso núcleo financeiro, sendo utilizadas para compensações financeiras internas entre diversas distribuidoras e postos de combustíveis, compensações financeiras entre empresas e fundos de investimentos administrados pela organização criminosa, pagamentos de colaboradores e pagamentos de gastos e investimentos pessoais dos principais operadores”.
Juntas, as seis fintechs movimentaram mais de R$ 26 bilhões entre 2022 e 2025. De acordo com a Receita, “houve a constatação de operações suspeitas, principalmente com depósitos realizados em espécie, procedimento estranho à natureza de uma instituição de pagamento, e contas abertas em outras instituições de pagamento, gerando uma dupla camada de ocultação”.
Entre 2022 e 2024, uma dessas fintechs vinculadas ao PCC recebeu depósitos de mais de R$ 1 bilhão em espécie.
Em outra frente, o MPSP denunciou núcleo envolvido com o desvio de nafta petroquímica para terminais e postos de combustível. Apuração conjunta com a ANP revelou “robusta estrutura de falsidades, com simulada venda de solventes para empresas-fantasma”:
“A denúncia descreve estrutura criminosa criada para a abertura serial de empresas nos mais diversos estados do país. Os denunciados utilizavam parentes, pessoas em situação de vulnerabilidade social e até presos para constituir pessoas jurídicas que supostamente adquiriam solventes, na prática desviados para a Grande São Paulo”.
A investigação conjunta do GAECO e da Receita identificou que, neste núcleo, “são utilizados os mesmos mecanismos de ocultação patrimonial. Além das instituições de pagamento, a movimentação financeira envolvia fundos de investimento, utilizados de forma fraudulenta para dissimulação dos reais beneficiários dos negócios da organização”.
