Offline
MENU
https://public-rf-upload.minhawebradio.net/113401/slider/9f22fe65968d79b6f45efc1523e4c4aa.png
https://public-rf-upload.minhawebradio.net/113401/slider/80a574611830c0240c40e4d3d91929b3.png
Demissões por justa causa batem recorde no Brasil
Publicado em 20/04/2026 13:09
Últimas Notícias

O número de demissões por justa causa no Brasil atingiu o maior nível em duas décadas. De acordo com o Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) foram 638,7 mil desligamentos nessa modalidade nos 12 meses até dezembro de 2025, o equivalente a 2,6% do total, recorde da série iniciada em 2004.

 

✅ Siga o canal do Claudio Dantas no WhatsApp

Os dados obtidos pela Gazeta do Povo foram levantados a partir do Caged, do Ministério do Trabalho e Emprego, pelo economista Bruno Imaizumi, da consultoria 4Intelligence.

 

O avanço se intensificou após a pandemia da Covid-19. Em 2019, foram 216 mil demissões por justa causa. Em 2025, o volume praticamente triplicou.

 

 

Com o desemprego em baixa, 5,4% em fevereiro, segundo o IBGE, empresas passaram a flexibilizar contratações diante da escassez de mão de obra.

 

“Ao trazer perfis menos experientes ou qualificados, elas elevam o risco de erros operacionais e, consequentemente, de demissões por justa causa”, afirmou o professor de Direito do Trabalho e Seguridade Social da Universidade Presbiteriana Mackenzie, Ivandick Rodrigues, ao site Gazeta do Povo.

 

Do lado dos trabalhadores, a queda do desemprego reduziu o efeito disciplinador do risco de demissão. “A certeza de recolocação rápida encoraja pedidos de demissão voluntária e reduz a aversão ao risco de punições”, disse Rodrigues.

 

Empresas também ampliaram o uso de monitoramento digital. O controle sobre jornada e uso de redes sociais aumentou a capacidade de comprovar faltas e justificar desligamentos.

 

Outro fator apontado é o avanço das apostas online durante o expediente. Segundo Rodrigues, essas plataformas geram um tipo de “sequestro cognitivo” nos trabalhadores.

 

A rotatividade no mercado também cresceu. Nos 12 meses até dezembro, foram 9 milhões de pedidos voluntários de demissão, alta de 5,9%. Para Imaizumi, o aumento indica aquecimento do mercado. Trabalhadores deixam seus empregos diante da expectativa de recolocação rápida.

 

A baixa qualificação média da força de trabalho também pesa. Pequenos ganhos salariais já incentivam a troca de emprego. A volta ao trabalho presencial e a entrada da geração Z reforçam o movimento, com maior peso para qualidade de vida nas decisões.

 

 

Segundo Rodrigues, programas de transferência de renda também influenciam esse cenário. Benefícios como o Bolsa Família contribuem para maior recusa a condições consideradas desfavoráveis.

 

Na fruticultura, produtores relatam dificuldade de contratação. A Associação Brasileira de Produtores de Maçã aponta receio de perda do benefício como entrave para trabalhadores. O problema se repete em outros segmentos e vem sendo relatado ao governo há anos.

 

Dados recentes mostram que nove estados têm mais beneficiários do Bolsa Família do que trabalhadores com carteira assinada.

 

Atualmente, são 38,6 beneficiários do programa para cada 100 empregados formais, segundo cruzamento de dados oficiais.

Comentários
Comentário enviado com sucesso!