
Autoridades suspeitam que o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, era uma espécie de “dono oculto” da instituição de pagamentos Entrepay, liquidada pelo Banco Central (BC) nesta manhã (27). A informação é do jornal O Estadão.

O diretor da instituição, Antônio Carlos Freixo Júnior, que teve a indisponibilidade de bens decretada pela autarquia, “é visto nos bastidores como um operador que usava a infraestrutura do conglomerado em benefício de Vorcaro”.
De acordo com o jornal, as suspeitas são de que as relações de Vorcaro com a Entrepay seguiam o mesmo modelo das ligações entre o Master e a Reag: “uma série de fundos da gestora foi usada em esquemas de fraude e lavagem de dinheiro envolvendo o ex-banqueiro”. Essas ações são investigadas pela Polícia Federal (PF) no âmbito da Operação Compliance Zero.
Freixo Júnior foi alvo da 2ª fase da Compliance Zero. Ele também foi um dos acusados, junto com o próprio Vorcaro, em um processo da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que apura irregularidades na emissão e distribuição de cotas de fundos de investimento fechados.
Em dezembro, a CVM rejeitou uma proposta de acordo para encerrar o processo envolvendo os empresários.
Segundo o BC, a liquidação da Entrepay levou em consideração não apenas o comprometimento da situação econômico-financeira da instituição, mas também a “infringência às normas que disciplinam sua atividade e por prejuízos que sujeitam a risco anormal seus credores”.
Essa “infringência de normas” está relacionada, de acordo com o Estadão, “justamente às investigações sobre o ecossistema do Master”.
Ainda de acordo com o Estadão, a liquidação da Entrepay pode afetar bandeiras de cartão, já que a empresa operava como adquirente. Mastercard, Visa e Nubank mantinham relações com a instituição liquidada. Os impactos ainda estão sendo avaliados.
