
O laudo elaborado por peritos criminais da Polícia Federal sobre o estado de saúde do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) aponta que ele possui diversas doenças crônicas e sequelas permanentes, porém pode continuar cumprindo pena na unidade prisional do Complexo da Papuda, no Distrito Federal.
O documento foi produzido por junta médica oficial por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), no âmbito da execução penal. A perícia avaliou tanto o quadro clínico quanto as condições estruturais do local de custódia para subsidiar a análise do pedido da defesa por prisão domiciliar humanitária.
Condições clínicas e sequelas
Segundo o relatório, Bolsonaro apresenta múltiplas comorbidades e consequências decorrentes do atentado sofrido em 2018, quando foi atingido por uma facada no abdome. As cirurgias posteriores resultaram em perda de parte do intestino grosso, aderências intestinais extensas e redução da parede abdominal.
Entre os diagnósticos descritos estão:
hipertensão arterial;
doença aterosclerótica cardiovascular;
estenose de artérias carótidas;
refluxo gastroesofágico com esofagite;
apneia do sono grave;
episódios recorrentes de pneumonia aspirativa;
anemia por deficiência de ferro;
neoplasias cutâneas;
soluços persistentes de difícil controle.
O ex-presidente relatou fadiga intensa causada por medicação para conter os soluços, além de tonturas ao se levantar e perda de força muscular nos membros inferiores. A avaliação neurológica identificou marcha levemente instável, com necessidade ocasional de apoio durante deslocamentos.
Recomendações médicas
Os peritos afirmam que o tratamento demanda acompanhamento permanente, incluindo:
controle rigoroso da pressão arterial e frequência cardíaca;
dieta fracionada e monitoramento nutricional;
exames laboratoriais e de imagem periódicos;
uso contínuo de aparelho CPAP durante o sono;
vigilância quanto a risco de quedas.
Apesar das exigências clínicas, o laudo conclui que as necessidades podem ser atendidas no ambiente carcerário atual, onde há estrutura de saúde disponível e atendimento contínuo.
Avaliação física e mental
Durante o exame realizado em 20 de janeiro, Bolsonaro foi descrito como consciente, orientado no tempo e no espaço, colaborativo e com memória preservada. O humor foi classificado como estável, com leve ansiedade, sem sinais de delírios ou alucinações.
Ele relatou manter rotina diária com leitura pela manhã, descanso após o almoço, caminhadas sob escolta e acompanhamento de programas esportivos na televisão. Também afirmou preocupação com familiares, mas negou acompanhamento psiquiátrico regular.
Ambiente prisional
No depoimento aos peritos, Bolsonaro disse ter percebido melhora após a transferência para a Papuda e relatou atividades diárias como leitura, descanso após o almoço, caminhadas escoltadas e televisão.
O documento registra que ele considerou “satisfatória a limpeza do ambiente” e destacou maior espaço para circulação.
