
O presidente do Instituto Nacional do Seguro Social, Gilberto Waller, afirmou que a investigação sobre fraudes bilionárias em aposentadorias e pensões seguirá até o fim e que “ninguém vai passar pano”, mesmo diante de citações envolvendo o filho do presidente da República.
A declaração foi dada em entrevista ao SBT News, no programa Sala de Imprensa. Segundo Waller, a apuração deve atingir todos os responsáveis, independentemente de posição política ou vínculo partidário.
“Sendo bem sincero, não conheço o que tem dentro da ação policial para saber da relação de A, B ou C no esquema. A gente fica sabendo pelo relato da imprensa. E como o próprio presidente da República já falou: a apuração tem que ir ao fim, doa a quem doer. Se tiver, tenho certeza que ninguém vai passar pano sobre essa situação”, afirmou.
A Polícia Federal informou ao Supremo Tribunal Federal que apura menções a Fábio Luís Lula da Silva no inquérito que investiga descontos indevidos aplicados a aposentados e pensionistas. Representação revelada pelo jornal O Estado de S. Paulo aponta que ele “em tese, poderia atuar como sócio oculto” de Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”.
A investigação também apurou repasses à empresária Roberta Luchsinger, apontada como amiga de Fábio Luís. A chamada Operação Sem Desconto identificou um esquema de uso de entidades associativas para realizar cobranças indevidas nos benefícios previdenciários.
Na fase mais recente da operação, o STF autorizou 16 mandados de prisão. Entre os alvos estão o então número dois do Ministério da Previdência, Adroaldo Portal, além de buscas e apreensões em endereços ligados a parlamentares, como o do vice-líder do governo no Senado, Weverton Rocha (PDT-MA).
Durante a entrevista, Waller afirmou que o esquema teve início em 2019 e permitiu a entrada de associações fraudulentas no sistema. Segundo ele, a partir de 2025, o INSS passou a descredenciar entidades e a demitir servidores envolvidos.
O presidente do INSS também contestou o valor inicialmente divulgado como prejuízo total, estimado em R$ 6,3 bilhões. Segundo Waller, o cálculo considerou a taxa máxima de associação. Após cruzamento de dados, o valor com indícios de fraude foi estimado em R$ 3,5 bilhões, dos quais R$ 2,8 bilhões já foram devolvidos aos segurados. O processo de ressarcimento segue até 14 de fevereiro.
“É bom prisão, é bom se aprofundar porque isso demonstra que ninguém do INSS, nem do governo, pode estar de acordo com isso que foi feito”, afirmou. “Roubar aposentado e pensionista dá prisão. E não pode ser qualquer tipo de punição.”
Waller reforçou que a investigação continuará avançando. “Ninguém pode ficar impune, seja quem for, seja qual posição ocupe.”